Devaneios de um ciclista

Essa é uma crônica escrita por mim. Seu objetivo principal era ganhar um concurso de redação mas não foi possivel...

“Se quer ficar sarado não pode ficar parado” é o que o meu instrutor da academia fica repetindo inúmeras vezes, enquanto eu pobre mortal, com um leve sobrepeso fico derretendo pedalando sem sair do lugar, naquela sala com uma musica animada, como se isso fosse dar coragem para continuar aquela tortura.

Quando consigo esquecer a raiva de ficar ouvindo a voz daquela pessoa que fica ligada nos 220 volts, não conhece o significado da palavra cansaço e que tenta me incentivar o tempo todo, eu ignoro as dores localizadas que vou adquirindo a cada pedalada e vou lembrando o meu passado.

Na minha infância sempre fui o garoto que carregava chocolate nos bolsos e jamais poderia dividir o meu lanche. Na hora do futebol para que me esforçar? As balas e pirulitos eram mais divertidos. Os outros garotos iam ganhando mais amigos e eu mais quilos na balança.

Lembro também da minha adolescência, o gordinho que tinha varias amigas e nenhuma namorada. Tive meus momentos de rebelde sem causa e pensei em me exercitar, mas correr só se fosse para a mesa para comer. O que eu mais gostava de fazer era o levantamento de garfo e fazia também uma atividade que exigia agilidade e flexibilidade, somente dos dedos, o meu melhor amigo: vídeo game...bons tempos....

Ao voltar para a minha realidade cruel, nas incontáveis horas daquele mal necessário, fui interrompido por um afortunado telefonema do meu filho, dizendo:

- Papai como você pode esquecer o meu futebol de hoje? Eu já comprei os nossos doces preferidos...

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