O Estudante

Dia 10 de fevereiro aulas. \0/ Saudade da escola.
Desculpa ai mas meu lado Nerd domina.


  Quero retornar logo para minha rotina, sentar na primeira carteira e as vezes limpar o cuspe do professor do meu caderno, quero carregar a mochila cheia de livros que talves eu nunca leia, quero retornar para ouvir a aqueles sermões intermináveis muitas vezes sem motivo, quero me assustar quando o sinal bater e pedir o caderno emprestado por que não deu tempo de copiar, muitas vezes porque ouvir o que o colega tem pra dizer pode ser bem mais útil do que a matéria ou mesmo pelo sono. Quero poder de novo dormir enquanto o professor revisa para a prova ou explica sobre o trabalho que vale grande parte da nota no bimestre.
  Quero retornar logo para minha rotina, ficar acordado de madrugada fazendo trabalhos, sobre assuntos que não fazia a mínima ideia que podiam existir, fazer Ctrl+c e Ctrl +v do Wikipédia e torcer pra minha impressora não dar pau.
 Quero retornar logo para minha rotina, se preparar semanas pra aquela apresentação, ensaiar olhando no espelho pra ver se ajuda com meu nervosismo em apresentar para a classe toda, que espera pacientemente uma única oportunidade de sua falha para poder zombar de você o ano todo.
  Quero retornar logo para minha rotina, ser o primeiro a terminar as atividades e mesmo assim não ter descanso, sempre tem aquele super amigo que só lembra de você quando precisa das respostas, não respostas para seus dilemas pessoais mas sim as do exercícios, pois ele precisa dos vistos no seu caderno.
  Quero retornar logo para minha rotina, querer ficar com a aula vaga mesmo sabendo que a matéria esta atrasada torcer para que o professor falte, conspirar quando ele não estiver olhando e combinar com todos para ninguém lembra-lo de corrigir o dever de casa.
 Quero retornar logo para minha rotina, de vez em quando sentar no fundo e colocar os fones de ouvido, ignorando o fato do professor ficar berrando pra que os tire, o fato da escola fazer campanha para que não levemos aparelhos eletrônicos para as aulas, e os muitos celulares e outros que estão sequestrados pela diretora.
  Quero retornar logo para minha rotina, comer a merenda reclamar que não está tão bom mas nunca abrir mão dela, certo que talves este ano não a tenha mas fica a lembrança...

O preguiçoso

O que dizer? Eu ♥ Crônicas.
  Plena tarde de segunda feria, férias no mês de Janeiro, e eu? Tô aqui assistindo um filme de comédia romântica. Odeio filmes de comédia romântica! Mas estou tão bem acomodado no sofá que não quero esticar meu braço para pegar o controle e trocar de canal. A única coisa que faço e ficar imóvel, não me sinto bem. Talvez seja inveja da felicidade dos personagens, porque a vida deles mesmo sendo uma merda tudo acaba bem e cada um com seu parzinho todos felizes e apaixonados como nunca me aconteceu.
  O melhor que é a quarta vez que assisto o mesmo filme. Também odeio as férias, ficamos longe do que nos ocupa e temos tempo suficiente para não pensar e nada, acabo tendo meus pensamentos suicidas que são bem motivados por esses filmes, os autores conseguem criar uma realidade que por ser comédia nos entretêm e por ser romance nos comove. O que me faz odiar esse tipo de filme não é o fato que ele acaba feliz é o fato de que mostra a minha incapacidade pois se lá todos se arranjam por que eu não? Até me sinto um pouco tonto em chorar quando tudo da errado no filme mas ninguém esta olhando mesmo... então me encontro comovido e entretido mas quando a sessão da tarde acabar a realidade criada acaba também e minha vida continua.
  É tão fácil odiar as coisas e as pessoas, de certa forma motiva a gente, pelo menos a mim, talvez se minha vida fosse completamente feliz eu não a compararia com um ideia fictícia de um autor, também não estaria aqui tão vagabundamente jogado no sofá, odiar esse género me faz ver o quanto a culpa é minha da minha vida estar ruim e me motiva a levantar daqui e fazer algo que preste, ou me matar de uma vez.
  Nesse exato momento me encontro comovido, entretido e motivado, ótima combinação! Vontade de mudar, viver mais um pouco... Porém a vontade não é tudo, não é mesmo e fico feliz em saber que tenho potencial para melhorar, mas como o filme ainda não acabou o melhor a fazer e aproveitar meu confortável sofá.
  Ah! Esqueci de citar que me encontro com fome. Nem tive coragem para mudar o canal, muito menos para levantar para procurar comida vou guardar essa motivação pra quem sabe usar depois de fazer um lanchinho...Vou tentar enganar a minha fome engolindo o meu ódio e minha preguiça.

Momento dor de cotovelo II - Uma nova manhã

  
   Ótimo! É o que eu digo pra me consolar, tem coisas que não dá pra entender, queria tanto ver você não é!? Dito e feito! Poxa logo quando sai de casa, virei a esquina enxergo você, mesmo que meio cego pela claridade da manha e um pouco embebedado pelo sono, que se transbordava pelos meu olhos inchados de tanto chorar, eu te vi. E o melhor que você não estava só, trazia consigo um outro e ao contrario de você parecia bem vivo, sim, muita vida nele, acho que ele queira soprar essa vida pra dentro do seu corpo pois não desgrudava os lábios dos seus.
  Desculpa mas acho que o nosso idioma não possui palavras suficientes para descrever o que senti naquele momento, fui tomado por um sentimento que parecia uma fusão de felicidade tristeza dor e fúria. Tá ai você me pergunta:
  -Felicidade!? Cê num tava sofrendo até agora?
  Eu lhe respondo que sim estou mas é que não é impossível contentar-me em saber que meu problema esta agora com outra pessoa. Mas pensando bem estou triste por que quando nos acostumamos com algo queremos mante-lo. Dor? Ah sim, pois eu ainda não sei como concertar o meu coração partido, dilacerado, saiba que doeu tanto que tive que me escorar no poste de luz da calçada, me faltava ar, mal me segurava sobre as pernas dai surgiu a fúria.
  Nesse mesmo momento, peguei a aliança com o seu nome, que já não usava mais, que pra mim era um trofeu de derrota pendurado em meu chaveiro, a lancei nada mais nada menos que tão longe que cheguei a atingir você  e ele, que belo casal!
  Irôia do destino, acho que não tenho  o direito de ser feliz. Você tinha que me ver? Foi a única vez que eu realmente adoraria ser ignorado por você. Mas nada, absolutamente nada, indiscutivelmente nada é do jeito que eu quero. Tinha que vir em minha direção? Eu sou fraco, nem pra disfarçar eu sirvo e vendo meu estado como pode ter a intrepidez de dizer que me amava e que o futuro nos espera?
  Fúria instantânea. Como eu queria gritar com você, te xingar, te agredir... me matar, não fiz nada disso eu e você sabemos que sou incapaz. Ao menos tentei dissimular falando que estava tudo bem e te desejando felicidades. Agora mascaro-me com um sorriso tredo e viro-lhes as costas. Eu até cheguei a pensar que você ficou triste com minha indiferença, desculpa tentativa de indiferença, mas agora acho que não.
  Se você era zumbi, acho melhor mata-la e enterra-la junto com tudo que me lembra você. Agora de manha nem fui trabalhar, voltei pra casa joguei no lixo tudo tirei as fotos da parede, os livros da estante e é claro o despertador, que eu nunca te disse mas sempre odiei tá!? Não gosto de acordar toda manhã com aquele som.


Se vc leu e acha q não tem nexo tente dar um olhadinha no anterior

Conto gótico V: E chega ao seu fim

Como tudo na vida tem seu fim, minha historia não podia ser excessão, e mesmo que não seja um dos melhores este é o que eu achei mais apropriado.



   Estava ele em um  momento de lucidez, que tinham se tornado cada vez mais raros, se tornou um homem transtornado, não queria dormir para não sonhar com com ela, mas quando o fazia não queria acordar para não perde-la novamente. As queimaduras no seu braço estavam quase todas curada.
   Já não possuía mais seu cão de estimação, como não queria retornar a floresta pra caçar e julgava o animal causador de seus pesadelos, já que foi o próprio que o levou a moça, resolveu mata-lo e devora-lo. Não se via mais o brilho das estrelas em seu olhar e nenhum remorso por seu feito.
   Aprisionado em seus medos o que lhe restava  fazer era se sentar em sua cadeira de balanço, mover-se pra frete e pra trás, apenas ouvindo o ranger da madeira no piso desgastado que não era limpo a alguns meses.
  Pela fresta que havia entre as duas partes da janela soprou um forte vento que fez com que ela se  abrisse, se levantou para fecha-la, enfraquecido por não se alimentar bem não tinha a mesma força de antes, apoiado na janela, levantou seu olhar, viu o punhal que um dia tirou a vida da moça, ali jogado entre as pedras, era certo o que lhe veio a mente quando o viu, nem se deu ao trabalho de ir até a porta usou a pouca força que tinha para pular  a janela. Caiu de joelhos e ali ficou, com as mãos apoiadas no chão lentamente foi se arrastando sentia-se carregando o mundo nas costas.
   O punhal se destacava no escuro parecia que o chamava, o enfeitiçava para seguir em sua direção. Ele o tocou com a mão,segurou firmemente, puxou o ar bem fundo para este ser que seria seu ultimo suspiro ela segurou sua mão.
   - Mas como? Você está morta! Eu te enterrei...
  Ela o olhou profundamente no fundo dos olhos dele, deixou cair uma lágrima. Não era necessário palavras mas seja real ou não ele sentiu que aquele pedaço de vida que tinha sido enterrado junto dela estava devolva, foi soprado para dentro dele como o sopro que abriu a janela.
  Levantou-se nem entrou na cabana novamente e sem luz ou bagagem seguiu andando, não queria levar nenhuma lembrança de lá deixou o olhar aflito que o torturava pra trás e levou apenas o olhar sereno e afetuoso que recebera nesta noite, uma certeza que tinha era que jamais a esqueceria pois ela roubou não só o brilho do seu olhar mas muitos dias de sua vida. E o sol surgiu no horizonte.

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